São Paulo – A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, recomendou que a empresa de ônibus Movebuss, suspenda imediatamente as negociações comerciais com Patricia Soriano, irmã de Roberto Siriano, apontado como número 2 do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em carta à empresa, a SPTrans pede que a concessionária rompa contratos existentes com a empresa Patricia Soriano Transportes 293 EIRELI, que pertence à irmã de Siriano.
O comunicado foi feito três semanas após a Polícia Federal (PF) anunciar que a Movebuss é investigada no inquérito da Operação Mafiusi, que apura a relação entre a facção criminosa e máfia italiana ‘Ndrangheta’. A empresa atende a área 5 de São Paulo com uma frota de mais de 630 veículos, transportando diariamente cerca de 430 mil pessoas.
Quem é Patricia Soriano
Patricia Soriano é irmã de Roberto Siriano, conhecido como “Tiriça” no PCC, apontado como segundo nome em importância no escalão do PCC.
Além disso, Patrícia é viúva de Edmilson de Menezes, o “Grilo”. Ele morreu atropelado, em outubro de 2024, enquanto peregrinava na Via Dutra (BR-116), em Santa Isabel, no interior de São Paulo.
De acordo com a investigação, Patricia recebeu o valor de R$ 227.918,38 da Movebuss. “O que é notável é que os depósitos ocorrem de forma fragmentada, com dois depósitos no mesmo dia e seis depósitos por mês, ocorrendo mensalmente desde 2020 até o último depósito registrado em 10/10/2022”, declara o inquérito da PF.
Além disso, Patricia omite em suas declarações de renda o recebimento desses valores, tanto como pessoa física quanto como pessoa jurídica. A PF também analisou os perfis das redes sociais das filhas dela, onde é ostentado alto e luxuoso padrão de vida. “É possível inferir que o padrão de vida apresentado é incomparável com a renda declarada”, concluiu a investigação.
A PF ainda destaca que a Movebuss participou da maior licitação de transportes do país lançada pela Prefeitura de São Paulo, que somou R$ 71,14 bilhões em contratos.
Outras investigações
Além da Movebuss, o inquérito da PF também cita a Transunião, que atua nos bairros da zona leste de São Paulo, em 35 linhas.
A empresa é investigada por envolvimento com Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Jair Cachorrão” na facção. Ele foi preso em uma operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em 2022, que investigava a morte de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, mas foi solto um mês depois. A Operação Proditor investigava homicídio, organização criminosa e lavagem de dinheiro do PCC a partir da Transunião e da UpBus.
Jair Ramos de Freitas recebeu mais de R$ 8,1 milhões da Transunião, sem notas fiscais envolvidas nas transações. O que chama a atenção da PF é que, entre 2020 e 2021, a receita de Freitas aumentou 1.149,8%, passando de pouco mais de R$ 203 mil para R$2,5 milhões. Para esse montante, só existem R$1,1 milhão relacionado às notas fiscais de venda de veículos e produtos associados.
Além disso, Jair Cachorrão fez movimentações financeiras, tanto como pessoa física quanto jurídica, somadas em mais de R$ 32,7 milhões entre 2020 e 2022.
“Considerando todos os indícios apresentados em relação a Jair Ramos de Freitas e sua empresa, é plausível inferir que se trata de uma estrutura utilizada para fins de lavagem de dinheiro ou como conta de passagem para pagamentos relacionados ao crime organizado”, concluiu a PF.