A divulgação dos dados mais recentes sobre a popularidade do governo Lula pelo Datafolha deu o que falar no mercado, pois aparentemente a queda na aprovação do presidente impulsionou a bolsa brasileira para cima.
Sabemos que no Brasil os mercados financeiros são fortemente influenciados por fatores políticos, especialmente eleições presidenciais, mas será que a disputa de 2026 já está fazendo preço nas ações no início de 2025?
Olhando mais de perto, as coisas não são tão “preto no branco” assim. O Ibovespa dos últimos seis meses ainda acumula queda de aproximadamente 8%. Além disso, fatores externos, notadamente o governo de Donald Trump nos Estados Unidos, também afetaram o resultado recente dos ativos brasileiros.
Ou seja: a associação entre a queda de Lula e a alta da bolsa não é tão direta e exclusiva.
Na visão do professor e consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Pierre Oberson, ainda não é o momento de as eleições de 2026 fazerem preço no mercado.
Para ele, tentar especular sobre o cenário eleitoral com dois anos de antecedência é algo complexo e desafiador. O Brasil, no final das contas, continua sendo o Brasil — um país que pode deixar os roteiristas da Netflix boquiabertos, devido à imprevisibilidade dos acontecimentos.
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Isso não significa que a questão eleitoral já não esteja sendo discutida por muita gente da Faria Lima ao Leblon.
No novo episódio do podcast Touros e Ursos, o Oberson falou sobre tudo que está em jogo para as próximas eleições presidenciais e como os investidores podem se preparar. Clique no player abaixo ou procure pelo podcast na sua plataforma de áudio de preferência.
Lula vai tentar recuperar a popularidade?
A leitura do mercado financeiro é que a bolsa vai se sair melhor em um cenário em que Lula não seja reeleito nem faça um sucessor.
Os dados macroeconômicos, de forma geral, não ajudam na popularidade do atual presidente. Os juros devem continuar subindo, assim como a inflação; somado a isso, o fantasma da questão fiscal continua a assombrar.
Com mais dois anos de mandato pela frente, o presidente teria tempo para “ajustar a rota” e recuperar a popularidade sem precisar recorrer a medidas populistas de mais injeção de dinheiro na economia, segundo Oberson.
No entanto, o professor da FGV não vê sinais de que o governo vai segurar o gasto e implementar uma política fiscal mais dura para conter a inflação e a escalada da Selic.
O resultado? A conta não fecha.
“País nenhum no mundo vai se desenvolver com juros a 15%. Nenhum governo se sustenta pagando 8%, 9% de juros reais durante 20, 30 anos. Não tem como a economia real funcionar com isso”, diz.
Para Oberson, essa deterioração macroeconômica pode se refletir nas urnas e atrapalhar as chances de Lula — ou algum sucessor — cantarem vitória novamente em 2026.
“É difícil falar em manutenção quando a gente tem juros de 15%, inflação acima da meta e nenhum resultado muito sólido para mostrar. Se antecipasse a eleição para hoje, eu vejo que o PT, o Lula, estariam muito mais fracos do que a oposição”, opina.
O que esperar das eleições de 2026?
Na visão do convidado do Touros e Ursos, ainda é difícil para o investidor se antecipar às eleições, já que muitas das decisões acabam sendo tomadas “aos 45 do segundo tempo”, inclusive as chapas de candidatos.
Além disso, outsiders podem surgir praticamente de um dia para o outro, impulsionados pelas redes sociais, como foi o caso de Pablo Marçal na eleição municipal de São Paulo no ano passado.
“Tanta turbulência vai acontecer até 2026, tantos nomes vão ser especulados que é difícil prever”, diz.
Do lado da direita, Oberson vê fragmentação e a dificuldade de os partidos entrarem em concordância. Porém, ele avalia que seria “relativamente fácil” para a centro-direita ou a direita ganhar as eleições, caso se unissem em um nome, como aconteceu no caso de Ricardo Nunes em SP.
“Minha previsão é que vai ser de novo o discurso de lulismo ou PT contra Bolsonaro. E sinceramente, eu acho que esse é o único cenário que é bom para o PT, que é realmente se colocar como oposição ao Bolsonaro”, explica o professor.
Com Jair Bolsonaro inelegível, o ex-presidente também tem o desafio de fazer um sucessor com força para as urnas.
Na segunda parte do episódio, o convidado e os apresentadores Julia Wiltgen e Vinicius Pinheiros elegeram os touros (destaques positivos) e ursos (destaques negativos) da semana.
Entre os ursos, a comunicação do governo Lula, a criptomoeda apoiada por Javier Milei e Pablo Marçal. Do lado dos touros, o Banco Central, os resultados do Mercado Livre (MELI34) e a Apple.
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