As tarifas anunciadas na quarta-feira (2) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, estão derrubando bolsas mundo afora e fazendo com que o dólar perca força ante outras divisas. Por aqui, a moeda norte-americana chegou a ficar abaixo de R$ 5,60 na mínima do dia, quando foi cotada a R$ 5,5934.
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O mesmo movimento é visto no mundo inteiro hoje. O DXY, índice que mede a força do dólar em relação a outras moedas, cai 2,20% neste início de tarde. Enquanto isso, o euro renova máximas contra a moeda norte-americana, com alta de 2,35%.
O aumento do fluxo de capital estrageiro aqui no Brasil é um dos principais responsáveis pela desvalorização do dólar ante o real nesta quinta-feira (3). Os investidores também temem que as medidas anunciadas por Trump empurrem a maior economia do mundo para uma recessão.
Vale lembrar que, neste contexto, o Brasil foi alvo da alíquota mínima de 10% no anúncio das tarifas do dia anterior.
Ainda assim, os investidores seguem buscando abrigo em meio às incertezas. Na renda fixa, os yields (rendimentos) dos títulos de dívida de dez anos do Tesouro norte-americano — considerados um dos mais seguros do mundo — renovam mínimas, ficando abaixo de 4%.
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O efeito Trump sobre as bolsas e o dólar
A queda do dólar acontece em meio a uma aversão a risco generalizada que também derruba as bolsas internacionais, dado o medo de que as novas medidas de Trump levem a maior economia do mundo rumo a uma recessão.
Mesmo antes do Dia da Libertação, como o governo norte-americano decidiu chamar a data para o anúncio das tarifas, a recessão já havia voltado ao vocabulário do mercado quando o Trump não descartou um período de sofrimento da economia norte-americana diante das medidas tarifárias.
“Espera-se que as expectativas de consenso prevejam uma probabilidade ainda maior de contração econômica nos EUA, bem como temores crescentes para outras regiões”, afirma a gestora britânica Janus Henderson em nota.
Para o analista da Empiricus, Enzo Pacheco, a economia global pode sofrer bastante se as tarifas forem mantidas. “Se nada mudar, a inflação pode crescer até dois pontos percentuais”, explica no Giro do Mercado do Money Times, parceiro do Seu Dinheiro.
Cabe lembrar que, na última semana, o Departamento do Comércio dos EUA, divulgou o índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) — a medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed). O dado mostrou uma alta de 0,3% em fevereiro na comparação com o mês anterior e 2,5% na base anual, acima da meta de 2% do banco central norte-americano.
De acordo com Pacheco, os números vieram maiores do que o esperado pelo mercado — e essas tarifas não devem ajudar a esfriá-los, com chances de dificultar a vida do Fed no corte de juros daqui para a frente.
Atualmente, os juros nos EUA estão na faixa de 4,25% e 4,50% ao ano e, na última reunião de política monetária, realizada no mês passado, o BC manteve a previsão de dois cortes da taxa em 2025.
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