O mercado financeiro acendeu o sinal amarelo para a Petrobras. Na noite da última quarta-feira (26/2), a companhia divulgou os resultados de seu balanço financeiro referente ao ano de 2024 e decepcionou a maioria dos analistas, despertando o temor de um “banho de sangue” no pregão desta quinta-feira (27/2).
O que aconteceu
- A companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 17,04 bilhões no quarto trimestre do ano passado.
- Em 2024, a Petrobras registrou um lucro acumulado de R$ 36,6 bilhões – foi o sexto ano consecutivo de resultados positivos. Entretanto, em relação ao ano anterior, a queda foi de 70,6%.
- Em 2023, a Petrobras havia registrado o maior lucro líquido de sua história: R$ 124,6 bilhões.
- Analistas do mercado projetavam que a Petrobras teria um lucro de R$ 70 bilhões em 2024. Ou seja, o resultado do ano passado veio bem abaixo das expectativas.
Dólar é vilão, diz Petrobras
Segundo a Petrobras, o resultado negativo do período entre outubro e dezembro se deve, principalmente, aos impactos da desvalorização cambial e a maiores provisões nas despesas operacionais.
Sem considerar esses chamados “eventos exclusivos”, diz a Petrobras, a companhia teria obtido lucro de R$ 17,7 bilhões.
Ainda de acordo com a Petrobras, houve uma “deterioração do ambiente externo com a redução do preço do petróleo e das margens internacionais do segmento de refino, além de menores volume de produção de petróleo”.
A receita líquida da empresa no último trimestre de 2024 foi de R$ 121,2 bilhões, o que representou uma queda anual de 9,7%.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 40,9 bilhões no trimestre, uma baixa de 38,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As despesas operacionais da Petrobras foram de R$ 43,081 milhões, com uma alta anual de 31,9%.
Em 31 de dezembro de 2024, a dívida líquida da Petrobras somava US$ 52,2 bilhões. Na comparação com o mesmo período de 2023, a alta foi de 16,9%.
Redução de caixa preocupa o mercado
Para Hugo Queiroz, sócio e diretor da L4 Capital, a questão cambial e os “eventos exclusivos” não justificam um resultado tão ruim para a Petrobras.
“A Petrobras teve uma piora operacional, uma deterioração financeira e uma redução fortíssima de caixa”, afirma. “A gente viu um risco financeiro subindo por questões de endividamento, também impacto da queda operacional. E temos uma geração de caixa caindo 54%.”
Na avaliação de Queiroz, “a companhia teve uma deterioração completa de fundamentos”.
“Alguns fatores explicam esse não crescimento. Foi uma decisão da companhia na parte de refino, de segurar preço e mudar sua política de precificação”, explica o analista.
“A gente viu o dólar para cima. A empresa deveria ter tido um forte crescimento. O petróleo caiu 10%, não 70%. O efeito positivo do câmbio deveria ter aparecido no resultado da Petrobras”, rebate Queiroz, contestando a versão da empresa.
Segundo Queiroz, “não existem eventos exclusivos no setor de petróleo”. “Esses eventos são recorrentes, vão aparecer constantemente”, diz. “Há efeitos de queima de caixa de petróleo na parte de refino. A geração de caixa livre da companhia acabou sugada. Isso é o que estamos vendo.”
Ainda de acordo com o sócio e diretor da L4 Capital, a Petrobras começa a apresentar “alguns problemas de gestão”, o que assusta o mercado e desperta preocupações de que se repitam problemas administrativos já vistos no passado.
Este foi o primeiro balanço anual divulgado pela Petrobras desde a posse da nova presidente da empresa, Magda Chambriard, em junho do ano passado.
Tombo também em Nova York
Ainda na noite de quarta-feira, pouco depois do anúncio dos resultados da companhia, os ADRs (American Depositary Receipts ou recibo de ações negociados na Bolsa de Nova York) da Petrobras registravam fortes perdas, em um prenúncio do que pode ocorrer no pregão desta quinta.
O ADR é um certificado que representa ações de uma empresa. Ele é emitido no exterior e negociado em países diferentes daquele de origem da companhia.
Por volta das 20h50 (pelo horário de Brasília), os papéis PBR (que equivalem às ações ordinários) da Petrobras desabavam 5,73% e eram negociados a US$ 13,50 no pós-mercado de Nova York.
Já os PBR-A (equivalentes aos papéis preferenciais) tombavam 5,04%, negociados a US$ 12,43.