O Dia da Liberdade fez história nos Estados Unidos e no mundo e, nesta quinta-feira (03), o terremoto das tarifas ainda reverbera nos mercados. No setor de criptomoedas, que ensaiava uma recuperação nas últimas semanas, o impacto foi intenso: o bitcoin (BTC) recuou 5,85% em um único dia, por volta das 13h30, enquanto algumas das maiores criptos registraram perdas de dois dígitos.
Apesar da queda, o BTC ainda consegue segurar a cotação dos US$ 82 mil, e a maioria das criptomoedas conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados.
O próprio bitcoin não fugiu de um padrão já observado no último mês, oscilando entre US$ 83 mil e US$ 85 mil, com rupturas pontuais nos suportes e topos.
No entanto, esse equilíbrio frágil foi colocado à prova com o anúncio das novas tarifas comerciais contra mais de 50 países na quarta-feira (02), adicionando mais uma camada de incerteza e medo a um cenário já turbulento para investidores.
Acompanhando a volatilidade dos mercados globais, o ethereum (ETH) recuou 6,51% de quarta para quinta-feira, enquanto o XRP caiu 7,64%. Mas, entre as criptomoedas de maior valor de mercado, a solana (SOL) foi a mais afetada no primeiro dia da nova era tarifária, despencando 12,80%, segundo o CoinMarketCap.
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Confira o desempenho das dez maiores criptomoedas do mundo hoje:
# | Nome (Símbolo) | Preço (USD) | Variação 24h (%) | Variação 7d (%) | Variação YTD (%) |
---|---|---|---|---|---|
1 | Bitcoin(BTC) | US$ 81.914,65 | – 5,91% | – 5,91% | – 12,29% |
2 | Ethereum(ETH) | US$ 1.777,61 | – 6,57% | – 11,42% | – 46,64% |
3 | Tether(USDT) | US$ 1,00 | 0,00% | 0,02% | 0,20% |
4 | XRP(XRP) | US$ 1,99 | – 7,88% | – 14,91% | – 4,01% |
5 | BNB(BNB) | US$ 586,96 | – 3,16% | – 7,83% | – 16,27% |
6 | USDC(USDC) | US$ 1,00 | 0,00% | 0,01% | 0,00% |
7 | Solana(SOL) | US$ 113,82 | – 12,92% | – 17,65% | – 39,85% |
8 | Dogecoin(DOGE) | US$ 0,16 | – 9,50% | – 17,39% | – 49,95% |
9 | TRON(TRX) | US$ 0,23 | – 1,56% | -0,21% | – 7,85% |
10 | Cardano(ADA) | US$ 0,63 | – 9,21% | – 14,52% | – 25,54% |
Bitcoin e as incertezas no radar
Para Beto Fernandes, analista da Foxbit, a decisão do governo Donald Trump pode trazer consequências de longo prazo. Isso porque o presidente aproveitou os holofotes para transformar o anúncio das tarifas em um ato político, dando um tom menos pragmático ao discurso.
“Todo esse ambiente fez com que as apostas de um corte de juros em junho, que eram de pouco mais de 77%, caíssem para 70%. Amanhã ainda teremos dados do payroll, que podem atualizar essa perspectiva para cima ou para baixo”, comenta Fernandes.
“Como consequência, a incerteza tende a manter o bitcoin estagnado na faixa de preços, mesmo com toda a volatilidade vista no dia”, conclui.
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O que fazer agora?
Para Taiamã Demaman, analista-chefe da Coinext, o momento exige cautela.
“O cenário atual pede uma espera estratégica. O mercado cripto aguarda sinalizações mais claras do cenário macroeconômico para retomar sua trajetória”, explica.
Além dos anúncios da quarta-feira, a sexta-feira (04) trará o relatório de emprego mais importante dos EUA, o payroll. Na próxima semana, também serão divulgados os números da inflação norte-americana, além do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), que pode indicar os próximos passos da política monetária.
“Esses fatores serão cruciais para definir a direção do mercado nas próximas semanas”, diz Demaman.
Já André Franco, CEO da Boost Research, é mais direto:
“Se você tem posições em bitcoin ou altcoins, mantenha. Não faça nada. Essa é a dica que eu dou”.
O que esperar daqui para frente
Caso o movimento de baixa continue, há pontos de suporte a serem observados.
“O suporte de curto prazo do bitcoin está na faixa dos US$ 81.300, enquanto o de médio prazo está na região de US$ 75.500”, analisa Ana de Mattos, trader e parceira da Ripio.
Já Guilherme Prado, diretor de operações da Bitget no Brasil, alerta para o impacto das tarifas no médio prazo.
“O aumento dos custos de importação, especialmente de parceiros-chave como a China, pode acelerar a inflação. Alguns modelos projetam um aumento de 2% a 3% no CPI (índice de inflação) até o segundo trimestre de 2025, caso a guerra comercial se intensifique”, afirma Prado.
Paralelamente, a unidade de Atlanta do Federal Reserve estima que o PIB dos EUA pode encolher 2,8% já no primeiro trimestre de 2025, pressionado pela queda no consumo e nos investimentos empresariais devido às tarifas.
O bitcoin ainda pode subir? No longo prazo…
Apesar das incertezas, um dólar mais fraco e possíveis flexibilizações nos juros pelo Fed podem impulsionar o bitcoin como hedge no longo prazo.
“No entanto, as altcoins podem precisar de fundamentos mais sólidos para se beneficiarem desse movimento”, pondera Prado.
Vanessa Oliveira, analista parceira da exchange NovaDAX, observa que há um volume crescente de compras em torno dos US$ 80 mil, o que pode indicar novas tentativas de avanço.
“Com base no gráfico mensal, existe espaço para o preço atingir níveis entre US$ 120 mil e US$ 150 mil no longo prazo”, analisa.
Ainda assim, ela alerta que, mesmo com esse cenário otimista, é provável que o mercado passe por correções ao longo do caminho.
*Com informações do Money Times
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