Parecia final de Copa do Mundo: investidores ao redor do mudo de olho nas telas à espera da taxação de Donald Trump. O mercado fechou e às 17h (de Brasília), o presidente norte-americano deu o pontapé no anúncio: as tarifas recíprocas agora são uma realidade nos EUA.
“Tenho boas notícias hoje. Muitas coisas boas vão acontecer. Hoje é o Dia da Libertação, o dia em que a indústria norte-americana vai renascer, o dia em que vamos fazer os EUA ricos de novo”, disse Trump logo na abertura do discurso no Jardim das Rosas da Casa Branca.
China, Canadá, México, Tailândia, Vietnã, Japão, Índia, Coreia do Sul foram lembrados por Trump no discurso. Chips, eletrônicos, automóveis, produtos alimentícios também foram citados pelo presidente norte-americano antes de uma grande tabela em papel com as tarifas recíprocas serem apresentadas por ele ao público presente no evento.
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Assim como em uma partida digna de final de campeonato, muito especialista fez prognóstico, tentou adivinhar o placar e traçar os possíveis confrontos dos EUA com outros países.
Agora que as tarifas se tornaram uma realidade, o Seu Dinheiro conta para você os principais pontos das medidas de hoje: quem são os alvos, quem é exceção, os percentuais e setores mais atingidos.
Como as tarifas vão funcionar
A primeira coisa a se saber é que as tarifas recíprocas entram em vigor à meia-noite (no horário local) desta quinta-feira (3).
A base do plano é impor taxas na mesma proporção na qual os EUA são taxados. No entanto, o governo norte-americano optou por adotar uma tarifa mínima de 10% em vários casos.
A partir de amanhã (3) também passa a valer a taxação de 25% sobre o setor automotivo, que já havia sido anunciada por Trump há algumas semanas.
Trump não descarta a possibilidade de flexibilização das tarifas anunciadas hoje, mas sinalizou que as negociações serão feitas caso a caso.
“Aos países que desejarem uma exceção às tarifas, aqui vai um recado: façam primeiro a lição de casa de vocês — retirem primeiro suas tarifas, derrubem suas barreiras não tarifárias, retirem as proteções contra produtos norte-americanos”, afirmou Trump.
As tarifas cobradas de cada país, incluindo o Brasil
O Brasil aparece na tabela que Trump segurava no Jardim das Rosas, durante o anúncio das tarifas recíprocas.
O governo norte-americano vai impor uma taxa de 10% para as importações brasileiras, a alíquota mínima definida.
Camboja e Vietnã estão entre os países com as maiores tarifas, de 49% e 46%, respectivamente.
Confira a tabela dos países com as maiores tarifas recíprocas anunciadas por Trump nesta quarta-feira (2):
País | Tarifa dos EUA |
---|---|
Camboja | 49% |
Vietnã | 46% |
Tailândia | 36% |
China | 34% |
Indonésia | 32% |
Suíça | 31% |
O republicano também anunciou uma tarifa de 30% para a África do Sul, de 26% para a Índia, de 25% para a Coreia do Sul, de 24% para o Japão e para a Malásia, de 20% para as importações da União Europeia, de 17% para Israel e de 10% para o Reino Unido.
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O setor automotivo na mira de Trump
Trump já havia anunciado tarifas sobre o setor automotivo. Nesta quarta-feira (2), o governo norte-americano deu detalhes sobre a taxação.
As tarifas de 25% sobre a importação de carros entram em vigor nesta quinta-feira (3) e em 3 de maio para as autopeças.
A taxa será aplicada a veículos como sedans, SUVs, picapes e vans, além de componentes como motores, transmissões e sistemas elétricos.
Empresas que comprovarem a fabricação de determinadas peças nos EUA poderão pagar a tarifa apenas sobre a parcela estrangeira do veículo. Além disso, declarações incorretas sobre conteúdo nacional estarão sujeitas a taxas retroativas sobre o valor total do automóvel.
O texto também prevê a criação de um mecanismo para incluir novas peças automotivas na lista de tarifas. No prazo de 90 dias após a publicação do Federal Register — o equivalente ao nosso Diário Oficial —, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, deverá estabelecer um processo para avaliar a inclusão de novos componentes considerados uma ameaça à segurança nacional.
Fabricantes locais e associações do setor poderão solicitar a imposição de tarifas, desde que comprovem aumento das importações ou impactos negativos para a indústria doméstica.
O governo terá 60 dias para analisar cada pedido e, se aprovado, a taxa de 25% passará a valer imediatamente após publicação no Federal Register.
O documento justifica a medida afirmando que “automóveis e peças automotivas estão sendo importados em quantidades e sob circunstâncias que ameaçam a prejudicar a segurança nacional”.
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O contra-ataque dos adversários
Nem mesmo Trump imaginava que os países alvos das tarifas desta quarta-feira (2) assistiram a tudo da arquibancada, de braços cruzados.
Horas antes do anúncio oficial da taxação, a China se articulava com os vizinhos Japão e Coreia do Sul para coordenar uma resposta aos EUA.
Os três países fortalecerão o diálogo sobre cooperação na cadeia de suprimentos e controles de exportação e devem acelerar as negociações na direção de um acordo trilateral de livre comércio.
A ideia é que o Japão e a Coreia do Sul importem algumas matérias-primas semicondutoras da China, enquanto a China estaria interessada em importar produtos de chips do Japão e da Coreia do Sul.
A União Europeia (UE) vai contra-atacar em outra frente: articulou um pacote de medidas emergenciais para apoiar partes da economia bloco mais afetadas pelas tarifas de Trump.
A Comissão Europeia, braço executivo da UE, já está trabalhando em propostas de apoio econômico de curto prazo para acompanhar planos de avançar reformas e competitividade em setores-chave, bem como para melhorar o funcionamento do mercado único do bloco.
Antes do anúncio das tarifas, o Reino Unido disse que não agiria com pressa diante das tarifas de Trump. E assim como fez a China, o governo britânico correu atrás de fortalecer relações com outros parceiros comerciais, a exemplo da Índia.
Já o México decidiu que não vai impor tarifas retaliatórias aos EUA. Junto com o Canadá, a ideia do país é reforçar relações e obter acordos benéficos no comércio.
O Canadá, por sua vez, vai pagar o preço da retaliação. No entanto, o governo de Mark Carney vai evitar tarifas retaliatórias contra os EUA que ameacem empregos locais e possam levar a aumentos de preços — nessa conta, ficam de fora a maioria dos produtos alimentícios, por exemplo.
O Brasil está tocando em frente o projeto de lei da reciprocidade. Embora o governo insista em dizer que a medida não é direcionada exclusivamente aos EUA, permite que o Brasil responda a ações unilaterais adotadas por países ou blocos econômicos que afetem a competitividade brasileira.
*Conteúdo em atualização
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