As tarifas recíprocas de Donald Trump já estão entre nós. Para a China, Trump declarou: cobra 34%. A China respondeu: toma 34% de volta. Pois bem, a guerra comercial está travada e, no meio da encruzilhada, os analistas da Genial veem dificuldades para as usinas de aço no Brasil, indiretamente, embora a tarifa aplicada para nós seja a alíquota mínima de 10%.
A situação é pior para a terra de Xi Jinping porque o presidente dos Estados Unidos priorizou os países asiáticos em suas tarifas, afirmam os analistas. As taxas contra Camboja (49%,), Vietnã (46%), Taiwan (32%) e outros foram as maiores.
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Com isso, a estratégia de triangulação comercial que a China tinha começado a aplicar para se esquivar das tarifas norte-americanas caiu por terra.
O plano chinês era fazer com que suas mercadorias fossem parcialmente redirecionadas ou reetiquetadas via países intermediários antes de chegarem aos EUA. Porém, com esses países sendo tarifados com alíquotas ainda maiores, os canais alternativos para escoamento vão se tornar mais restritos e menos vantajosos.
Como isso impacta o Brasil?
Segundo a análise da Genial, a China deve tentar redirecionar suas vendas de aço para outros mercados na América Latina, Oriente Médio e África. Com isso, a pressão competitiva global por preços deve aumentar e “afetar a dinâmica regional para as usinas brasileiras”.
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As principais afetadas seriam Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5).
“Caso as tensões comerciais se agravem e a retaliação ganhe tração, há espaço para reprecificação dos fundamentos [de CSN e Usiminas] ao longo de 2025, em um ambiente mais protecionista, fragmentado e desafiador para os fluxos globais de aço e insumos industriais”, diz o relatório.
Para o minério de ferro, os impactos tendem a ser indiretos, mas não desprezíveis, segundo os analistas da corretora.
Uma menor demanda externa por aço na China (devido à redução das exportações de bens duráveis), combinada aos cortes domésticos já sinalizados pelo governo chinês, poderá resultar em uma redução adicional na demanda por minério de ferro — uma má notícia para a Vale (VALE3).
O baixo nível dos estoques de minério de ferro na China geram pessimismo, embora ainda estejam 9,7% acima da média histórica de 5 anos (125,9 milhões de toneladas agora versus 115 Mt na média histórica).
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Ao mesmo tempo, a demanda por minério segue firme, impulsionada pelo aumento da atividade siderúrgica na China. Com isso, a projeção de preço médio para o minério de ferro foi mantida em US$ 99/t para 2025, mas exige atenção.
“O cenário projetado para o segundo semestre ainda sugere que os fundamentos serão frágeis do lado da demanda, dragados por uma redução da necessidade de importação de minério de ferro pela China, o que reforça nossa visão cautelosa para o comportamento dos preços no curto prazo”, diz a corretora.
E a Vale nisso tudo?
Os analistas da Genial avaliam que as ações da Vale estão significativamente subvalorizadas devido às percepções pessimistas sobre a economia chinesa.
Embora reconheçam os riscos da desaceleração industrial da China e das novas tensões comerciais com os Estados Unidos, a avaliação é de que o desconto sobre a precificação das ações da mineradora é desproporcional.
Por essa razão, a recomendação da casa é de compra para as ações VALE3, com um preço-alvo para 2025 de R$ 65,20, o que representa uma alta de 18,8% em relação ao pregão de quinta-feira (3), com fechamento de R$ 54,87.
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