É difícil de imaginar, mas a Terra atual foi formada por uma colisão de dois grandes planetas. Vale a pena conferir essa descoberta no documentário científico Grandes Mistérios do Universo (Prime Video), com narração do ator Morgan Freeman.
A história dessa barruada planetária começou com a própria origem do nosso Sistema Solar como um todo. A coisa toda aconteceu quando milhões de detritos espaciais de todos os tamanhos foram se juntando aos poucos e formando os planetas, cometas, asteroides e outros corpos estelares. Acontece que há bilhões de anos atrás esses jovens planetas em formação se chocavam entre si, quando suas órbitas em torno do Sol ainda eram irregulares e se cruzavam.
Foi assim que um grande ‘protoplaneta’ que hoje chamamos de Terra foi violentamente atingido por outro ao qual os cientistas deram o nome de Theia, com dimensões semelhantes às do atual Marte. Naquele tempo, Theia e Terra mais pareciam um aglomerado de rochas, minerais e lava derretida misturados com vapores e gases de várias composições. Essas condições geofísicas das superfícies de ambos eram tão inóspitas que ainda não possibilitavam a existência de nenhuma forma de vida quando colidiram.
Segundo o documentário, o choque foi tão colossal que a maior parte dos dois mundos se fundiu em torno do núcleo da Terra que, sendo maior, possuía força gravitacional mais potente, absorvendo quase completamente Theia. De sobra, vários fragmentos resultantes da explosão ficaram espalhados gravitando em torno da nova Terra, até que foram se consolidando na forma de um satélite, que conhecemos como Lua.
Ao longo de mais de 4 bilhões de anos a Terra foi desenvolvendo condições climáticas e biológicas favorecidas pelo fato de o núcleo do planeta girar independente da sua superfície, o que originou um campo gravitacional raro, resultante da colisão com Theia. Esse campo protetor funciona ainda hoje como um escudo que impede que o bombardeio de ventos solares provoque uma erosão da superfície da Terra e o espalhamento da água e de compostos químicos para o espaço exterior, o que inviabilizaria o desenvolvimento e a sustentação da vida (como ocorre na maioria dos planetas).
É importante entender que a vida como conhecemos hoje não resultou de um processo evolutivo organizado e constante. A instabilidade da formação do sistema solar, juntamente com a estabilização física e química da própria Terra, alternou diversas vezes o surgimento e a extinção em massa de diferentes espécies vivas, aquáticas e terrestres, até que tivéssemos alcançado o equilíbrio que viabilizou a surgimento e a evolução da fauna e flora que conhecemos hoje, inclusive da humanidade.
Atualmente, a vizinhança do Sistema Solar tem se mostrado menos hostil, com menor risco de grandes colisões e com um Sol mais estável. Essa paz sideral, somada ao amadurecimento ambiental da própria Terra, possibilitou a nós – humanos – alcançarmos um avanço científico e social único no universo que conhecemos. Paradoxalmente, o próprio ser humano parece ser o principal fator de risco atual para a sobrevivência da nossa espécie e para a vida em geral no planeta. Seria mais fácil aceitar nossa extinção em massa se ela fosse causada por outra trombada de planetas, e não por esse transtorno autofágico coletivo que acomete nossa espécie, esgotando os recursos naturais com intensidade capaz de sabotar o sistema climático terrestre que nos originou.
Felipe Sampaio: cofundador do Centro Soberania e Clima; atuou em grandes empresas e no terceiro setor; chefiou a assessoria especial do ministro da Defesa; dirigiu o sistema de estatísticas no ministério da Justiça (SINESP); foi secretário-executivo de Segurança Urbana do Recife; é chefe de gabinete da secretaria-executiva no Ministério do Empreendedorismo.